Divagação

Encontrava-me, na consciência antes dessa, não sendo nem existindo, não refutando. O que inverteu-se, sendo assim, agora que cá já estou, devo-me comportar sabiamente. Porém, sou mais profundo e interessante do que se pode ver e extremamente menos do que esperam que eu seja; no seguinte, dissertarei o motivo do pensamento, mas é importante mencionar que, não só a mim exclusivamente se estabelece tal observação, mas sim, a todos nós como seres. Nasci a partir de uma inexplicável coincidência da casualidade e dos desejos reprodutivos dos seres que vieram antes de mim, que corajosamente vieram assegurando a linhagem. Desde meu nascimento me desenvolvi acompanhado de um ser do gênero masculino, e outro feminino, sendo esses, com cromossomos numéricamente compatíveis a mim, estabelecidos fixamente num pequeno e delimitado território, o qual, chamávamos, carinhosamente e sentidos de uma necessidade para que, de lar.

Em relação a aqueles responsáveis pelos meus genes e, consequentemente, de suas junções e recombinações entre esses, iniciei um curioso ato, que se iniciou no momento que discerni e aprendi, a ponto de utilizar em prática, o dificílimo e infinitamente complicado método de comunicar-me efetivamente com meus semelhantes, passei a referir-me ao masculino e ao feminino como Pai e Mãe, respectivamente. Sobretudo, tal atitude aprendida, e outras além dela, que sagazmente, vim ao longo dessa existência, interessantemente finita, aprendendo, coletando, organizando etc. Mesmo que no, de fato, ponto final dessa incrível jornada que todos nós iremos, e somos obrigados, com ou sem conscientização da sua parte, — na perspectiva Existencialista de Sartre — realizar a partir do momento que estamos presentes, sucumbirei e definharei como todos aqueles antes de mim fizeram, e assim, não valendo de nada enfrentar e esforçar-se na busca e no aperfeiçoamento de tais habilidades aprendidas, as quais é de extremo interesse e, sobretudo, capacidade intelectiva aperfeiçoada, a averiguação do funcionamento dessa capacidade característica, e de muita importância para aperfeiçoamento pessoal.

A partir da criação de sentido, mesmo que ínfimo, em mim, incluindo aqueles antes mesmo do meu, propriamente dito, biológico nascimento, iniciou-se um processo infinitamente complicado no canto mais profundo de minha inconsciência, já que a consciência é produto mais tardio no desenvolvimento do resultado da fecundação humana, e que se permanece até o fim da vida biológica. Sendo ela, afetada e transformada por todos elementos de convivência, tanto com seres dotados, ou não, de consciência intelectiva, e tantos outros elementos que incluem de temperatura, disponibilidade de nutrientes, saúde a favorável posição social ou financeira, que nos influenciam de alguma forma, e nós os influenciamos de volta a todo momento, principalmente n’aquelas que englobam relacionamento entre seres.

O ato da aprendizagem inclui-se, de fato, a vastos elementos da vontade e dedicação consciente, a qual já é, por si só, fundamental, porém da contrária será tratada e investigada aqui. A Aprendizagem, por totalidade, Inconsciente, aquela a qual englobam e assimilam, a modo de concluir uma aprendizagem de vivência, elementos dos quais não tenho consciência a produzir tal efeito em mim, é de, divertidamente, inconsciente importância no papel da formação da minha personalidade ao longo da existência e de suas diversas manifestações, produzindo uma infinitude de comportamentos que são, a todo momento, aprendidos e postos em prática, além de transformados, adquiridos e descartados.

A partir dela, o ser, enquanto consciência, ou até mesmo, alma enquanto pensante, adquire meios e ferramentas de interagir no mundo como totalidade e também em suas relações pessoais e particulares, além da interação de consciência para própria consciência, de si para si, que, além de interessantíssima, produz elementos de personalidade tão marcantes quanto. Conforme a Aprendizagem Inconsciente vai efetivando-se, durante absolutamente todos momentos de existência, mais o ser vai conhecendo a respeito do mundo e de como comportar-se nele a modo que se incline cada vez mais a aquilo que acredita ser o certo e que, como indica Espinoza, trará potência de agir.

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